terça-feira, 15 de maio de 2012

Primeiro dia do ano

Não sei  porque o dia está tão triste,
Deveria estar alegre porque hoje é primeiro dia do ano 1990
E eu também  estou triste porque deixei alguém que amo.
Sei que só foi momento tudo o que pensei no campo.
Longe de tudo fugindo dos problemas me isolando e refletindo sobre a minha vida,
Como o destino é cruel a gente se abraça, se beija e te acaricio mas nunca podemos transar,
Eu sei que nós seremos simples amigos,
Mas existe uma atração de corpos entre nós que é muito forte.
A gente está triste é frustado, te deixei mais uma vez,
A distância nos separa,
Quando te abraço, te beijo, te acaricio sinto uma força estranha que vem do universo.
Marlete, estou triste, sozinho, mais uma vez,
Mas eu sei que você tem outros amores,
Mas uma coisa é estranha por distante que estejamos os nossos corpos estarão chamando um pelo outro.
E um dia eu vou te amar com toda a força do mar, do céu e do sol,
E nada desse mundo vai nos separar.


Autor: Paulo Furtado                      01/01/1990

terça-feira, 27 de março de 2012

Vida de Brasileiro

Pobre brasileiro trabalha 8 horas diárias,
Chega o pagamento,
Não sabra nada,
Chega em casa a mulher reclama,
Que falta coisas para casa,
O filho chora pedindo o brinquedo que viu na televisão,
Vai para o serviço e vê pessoas que chegam a hora que querem,
Seu patrão só fiscaliza e não trabalha e nem produz,
Não tem tempo para ler e nem para estudar,
Não sobra dinheiro nem para o futebol,
Liga a televisão vê engravatados socados em seus gabinetes discursando bonito e dizendo que no Brasil não tem crise e todos vivem bem.
Essa é a vida do brasileiro trabalhar e ser explorado, pelo sistema capitalista.
A única alternativa que o brasileiro tem é de organizar com os seus em movimentos e partidos políticos comprometidos com o povo e com a transformação da sociedade.


Autoria: Paulo Furtado
Vacaria 1989

Menina

Menina vem lutar comigo
Vem ficar do meu lado para me dar força
Sem você sou um guerreiro sem alma e sem amor.
Vem caminhar na areia da praia,
Para juntos nos amar na beira do mar.
Vem me dar um beijo para eu me sentir no céu,
Vem menina bem pertinho de mim,
Só com você ao meu lado eu ajudo a transformar a sociedade.

Levanta Negro

Levanta negro
Vai e luta
Se organiza
O Brasil é teu
Não ligue para os racistas
Vai e conquiste teu espaço
Forme quilombos e crie movimentos,
Só se organizando e lutando que juntos derrubamos os opressores.

Autoria: Paulo Furtado

Vacaria RS, 1989

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ultima Carta para Dirlei

Essa é a ultima carta que te escrevo,
Não tenho conseguido falar contigo porque você sempre está acompanhada da tua amiga,
Estou numa fase terrível da minha vida onde todos os projetos que sonho não dão certo,
Estive analisando tudo o que ocorreu dessa história entre nós.
Eu cometi vários erros, e um deles foi ter pensado que você sentia alguma coisa por mim.
Não sei se você sentiu, mas eu naquela noite parecia que tinha sido atraído por uma força estranha.
Eu senti algo que me deixou fascinado por ti, que foi o teu beijo e o teu olhar.
Eu tinha sentido alguma coisa por ti desde daquela reunião do grupo de teatro nas obras de Assistência de Fátima.
O que mais tinha me chamado a atenção foi o teu olhar  triste e meigo.
Depois que ficamos juntos no Casa Nobre eu senti que alguma coisa poderia sair entre nós.
Estava motivado na campanha eleitoral e eu era um dos mais cotados a conquistar uma cadeira na Câmara de Vereadores.
Eu fui escolhido para ser candidato por toda minha luta na Pastoral da Juventude onde fui membro estadual e pela luta contra a discriminação do negro.
Aquela noite horrível onde chutei o carro do idiota do Pedro Lima foi o fim da minha campanha.
Tentei ser teu amigo mas sempre com a esperança que você sentia algo por mim.
Me sumi por um tempo para tentar te esquecer.
Dai comecei a trabalhar na Autoval, após passar seis meses desempregado e vivendo de biscate em escritórios sem a menor condição de me contratarem.
Fui te procurar em tua casa como amigo e senti que você ficou tão feliz de me ver.
Passou o tempo
Resolvi decidir de uma vez por todas a parada.
Agora que percebi que tudo isso que estou relatando já tinha te falado pessoalmente.
Continuando, te convidei para sair comigo, você se fez de indiferente e nem ligou para mim somente me esnobou.
E no domingo para minha tristeza ti vi em abraços e beijos com aquele imbecil foi terrível e me senti um idiota e um bobo que amava alguém que não merecia nenhum sentimento. A mesma sensação que senti quando você me deixou como um idiota e entrou no carro do Pedro Lima. Eu senti no chamony naquela noite. Que coisa engraçada quando caminhava pela praça a coruja voava na torre da Catedral e gritava e eu sentia que no chamony você estava com outro.
Te chamei de puta e de "galinha".
Depois de todo vexame que dei por tua causa quando entrei com aquele porrete e vi você olhar para mim com aquele olhar, me enfraqueci e perdi as forças e o cara queria me bater e estava tão fraco que tive que fugir porque não tinha condições de brigar com ele.
Fiquei um bom tempo longe de ti
Me superei e consegui te esquecer
Tinha me isolado num sitio e na beira do rio fumando e começava esquecer tudo.
Bebia muito e inclusive encontrei uma gata tri-linda de Porto Alegre que me fez esquecer de ti
Me atirei na luta do partido.
Numa festa que foi no Hotel Serra Alta bebi igual a um condenado e só chamava o teu nome.
Depois de um bom período ter te esquecido
Numa noite ti vi passeando pela praça voltei ao esquema de te perseguir.
Quando passava pela tua rua me encontrei com você e olhei para os teus olhos senti uma dor por dentro e vi você me olhar com tristeza e resolvi falar contigo e me explicar de tudo que tinha feito naquela noite.
Dirlei ai começou as perseguições novamente. E começou aquele sentimento de amor e de ti querer a qualquer preço
Aquela sina e determinismo incrível tomou conta de mim.
Sei que você não me ama
E nem me quer como amigo
Mas uma coisa eu percebi
Que quando converso contigo me sinto tão bem.
A noite em que ti vi conversando com aquele idiota jogadorzinho do Glória eu comecei entender algumas coisas que corriam no meu pensamento.
Fui te seguindo quando vi a barulho de um carro que estava atrás de mim era o táxi trazia você e ele.
Eu não entendi o porque vocês deixaram o táxi ficar parado esperando que eu me afastasse da tua casa
Dobrei aquela rua escura e vi vocês se beijando e eu olhando tudo aquilo e sentindo uma mágoa de querer estar naquele momento no lugar daquele imbecil.
Dirlei você viu não fez nada, para mi  é duro mas tenho que me acostumar e ver você nos braços de outros homens.
Porque sei que você não me ama,
Dirlei o pais está em época de eleições presidenciais,
Nós do PT sabemos se assumirmos o poder teremos que resistir na base das armas e revolução armada.
sabemos se perdemos e no poder entrar alguém de extrema direita teremos que nos exilar em outro pais. Porque voltaremos ao regime de ditadura militar.
Os artistas, poetas, escritores, homossexuais, prostitutas e militantes de partidos de esquerdas serão caçados, presos e torturados.
Eu sinto isso que logo eu terei que lutar para enfrentar a burguesia e quero até morrer. E sei se baixar a repressão vou ter que fugir do pais. Já estou pensando até me exilar na África, Cuba ou Nicarágua.
Dirlei você sabe que a Revolução de 1964 trouxe a esse pais.
Todo a juventude foi feita uma lavagem cerebral através da educação nas escolas.
O brasileiro ficou alienado e sem consciência critica das coisas.
Os militares provocaram toda a crise em que estamos afundados.
O capital do império americano tormou conta do Brasil.
O nosso pais foi vendido aos Estados Unidos.
Por isso odeio a burguesia e o sistema capitalista que nos achata a memória e nossa condição de vida.
Vejo crianças passando fome e comendo lixo nas ruas.
Vejo jovens se jogando nas drogas e no submundo do crime.
Vejo o negro ser discriminado,
Vejo o nosso jovem ser robô dos americanos,
Vejo você cada vez mais longe de mim
Vejo o por do sol e no fundo do coração sinto aquele chamado.
De pegar as armas e de lutar para que todos vivam melhor e que meus filhos tenham uma vida digna num novo mundo e num novo pais.

Vacaria, 26.06.1989

Autor: Paulo Furtado

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dirlei

Não sei se vem do céu,
Do mar ou do além,
Só sei que é linda como uma Deusa,
Sua beleza é algo fascinante,
Seus olhos me deixam louco,
Aquele olhar triste
Que dá pena em qualquer um
Que me enfeitiçou
Eu a amo,
Fumo e bebo para ti esquecer,
E nos meus delírios eu vejo o seu rosto,
Eu desejo estar sempre ao seu lado,
O meu corpo chama por ti,
Mas infelizmente você não vem
Tu tem medo de amar novamente
E ser infeliz
Mas não sabe tu
Que pior é a solidão
Viajo nos sonhos e você está presente
Olho para eu corpo e seu rosto lindo,
cada vez mais fico fizurado
A gata mais linda do mundo se chama Dirlei
Que muitas vezes e má, e me faz sofrer
Sei que nunca será minha,
Mas uma alegria eu carrego comigo pelos menos por uma noite você foi minha,
Vou lutar para morrer e esquece-la de vez uma paixão paranóica,
Só morrendo que um dia irei esquece-la.

Autoria: Paulo Furtado       Vacaria RS 1989